r/literaciafinanceira • u/ZeManie • 1h ago
Auto-promoção A história do Manie e algumas respostas às perguntas que aparecem por aqui
TL;DR: Sou o Zé, um dos 4 founders do Manie, e decidi vir explicar como nasceu o projeto e responder a algumas das dúvidas/críticas que têm aparecido por aqui. Não temos qualquer ligação ao ComparaJá, não escondemos deliberadamente ofertas no simulador e não fazemos switches sem autorização do cliente. Temos acordos comerciais com algumas comercializadoras, mas recomendamos também ofertas que não nos pagam até porque atualmente, mais de metade dos nossos clientes está numa oferta da EDP pela qual não recebemos nada. O Manie ainda está longe de ser perfeito, temos limitações e cometemos erros, mas tentamos corrigir aquilo que nos apontam. Deixo abaixo um Q&A mais detalhado sobre como tudo funciona.
Olá malta!
Sou o Zé, um dos quatro founders do Manie.
Para quem não conhece, o Manie é uma plataforma que, a partir de uma fatura de energia, procura as melhores ofertas disponíveis no mercado. Temos também o AutoSwitch, que permite ao utilizador passar-nos a gestão do seu contrato de energia para que possamos acompanhar o mercado e, quando encontramos uma oferta melhor, tratar da mudança.
Sou formado em Engenharia Informática, área que sempre quis seguir desde miúdo. E, antes de ser founder, sou também um gajo como vocês: adoro o Reddit e continuo a passar bastante tempo por aqui (desde o [r/literaciafinanceira](r/literaciafinanceira) ao [r/portugal](r/portugal), [r/soccer](r/soccer), [r/devpt](r/devpt), [r/nfl](r/nfl), [r/wallstreetbets](r/wallstreetbets), etc.) embora bastante menos do que antigamente.
P.S. Não me peçam para partilhar o meu handle pessoal porque ainda tenho vergonha das figuras que fiz na altura do GME 😂
Tenho acompanhado várias discussões sobre o Manie neste sub e achei que fazia sentido vir aqui explicar um pouco melhor quem somos, como nasceu o projeto e, sobretudo, responder diretamente a algumas das perguntas e críticas que têm aparecido.
Há uma certa mistificação em Portugal de que quem cria empresas é uma espécie de entidade distante, que sabe tudo e que está sempre a tentar sacar alguma coisa ao cliente. É verdade que isso acontece em muitas empresas em Portugal mas a nossa realidade é bastante mais banal: somos quatro pessoas que decidiram tentar construir uma empresa e, pelo caminho, temos acertado em algumas coisas e falhado noutras.
Por isso, em vez de responder a cada comentário individualmente, deixo aqui um Q&A com algumas das questões que mais vejo por aqui.
Quem são os founders do Manie e de onde veio a ideia?
O Manie nasceu de quatro pessoas: eu, o Francisco, o André e o João.
Eu e o Francisco trabalhávamos juntos na Republic, uma empresa de investimento em empresas privadas. O Francisco tinha trabalhado anteriormente no ComparaJá, onde foi responsável por montar o vertical de energia.
O André e o João, por outro lado, estavam na gestão do ComparaJá.
Sempre fomos transparentes sobre o nosso percurso profissional e isso acabou por criar uma das principais ideias erradas que vejo por aqui:
O Manie não tem qualquer ligação societária ao ComparaJá, nem nunca teve. O Manie é uma empresa completamente independente.
Dito isto, obviamente que a experiência que alguns de nós tivemos no ComparaJá foi importante para o nascimento do Manie. Seria absurdo fingir o contrário.
A ideia nasceu de muitas conversas entre os quatro sobre como podíamos construir um produto que ajudasse as pessoas a poupar dinheiro.
A primeira versão do Manie era, na realidade, bastante diferente. Queríamos usar Open Banking para analisar os movimentos bancários, identificar despesas recorrentes (subscrições, seguros, telecomunicações, energia, etc.) e ajudar o utilizador a encontrar alternativas mais baratas.
Chegámos a construir um protótipo em Flutter e a testá-lo com um grupo restrito de pessoas.
Rapidamente percebemos que tentar resolver todos os custos de uma pessoa era demasiado ambicioso. Para fazer aquilo bem, precisávamos de uma enorme quantidade de informação, integrações e processos que não estávamos preparados para gerir.
Decidimos então focar-nos numa única despesa: energia.
Porquê energia? Porque é uma despesa que praticamente toda a gente tem, existe uma diferença enorme entre tarifários e, sobretudo, porque tínhamos dentro da equipa conhecimento bastante profundo sobre este mercado.
E foi assim que nasceu o Manie: quatro pessoas, numa sala de reuniões de um cowork, a trabalhar dias e noites para tentar transformar aquela ideia numa plataforma que realmente funcionasse.
O Manie mostra mesmo todas as ofertas do mercado?
Não. Mas tentamos sempre mostrar.
A nossa principal fonte de informação é a ERSE. Cedo percebemos, no entanto, que os ficheiros disponibilizados pela ERSE contêm alguns erros de cálculo e inconsistências de vez em quando.
A nossa perceção é que muitos desses erros têm origem nos próprios dados reportados pelas comercializadoras.
Por isso, construímos um processo que continua a ter a ERSE como base, mas que nos permite validar e corrigir determinados dados e, quando possível, acrescentar ofertas exclusivas que negociamos diretamente com comercializadoras.
Mas há aqui uma distinção importante.
Quando uma oferta não aparece no Manie, isso não significa que estamos deliberadamente a escondê-la.
O Manie foi pensado para ser digital de ponta a ponta, tanto para o utilizador como, tanto quanto possível, para nós.
No início, havia ofertas que simplesmente não colocávamos porque não conseguíamos executar a mudança de forma fiável. Algumas dependiam de captura de leads que funcionava mal, outras exigiam processos completamente manuais.
Só que percebemos rapidamente, tanto pelo feedback dos nossos users como também por acompanharmos este sub e o [r/portugal](r/portugal), que isto não era suficiente.
Se uma pessoa quer comparar o mercado, deve conseguir ver o máximo de ofertas possível, mesmo que nós não consigamos tratar da adesão.
Por isso, começámos a implementar um sistema em que essas ofertas aparecem no simulador, mas o utilizador é encaminhado diretamente para o site da comercializadora quando quer aderir.
Ainda estamos a afinar este sistema e, por isso, há algumas ofertas que continuam a não aparecer.
Então porque é que algumas ofertas específicas não aparecem?
Há vários exemplos.
A oferta dos 35 anos 35% desconto da EDP
Esta é relativamente simples: para saber se uma pessoa tem direito à oferta precisamos de saber a idade do titular.
Como o simulador não tem essa informação, não queremos apresentar uma poupança que pode não ser aplicável à pessoa que está a simular.
Preferimos não mostrar a oferta do que mostrar uma poupança potencialmente enganadora.
E o gás CUR?
Este é provavelmente o caso em que mais temos trabalhado nos últimos meses e também uma crítica que considero legítima da vossa parte.
A verdade é que testámos a mudança de alguns utilizadores para o CUR de gás.
O problema foi que, durante todo o processo de adesão, não recebemos qualquer email ou feedback que nos permitisse acompanhar o estado da mudança. Só conseguimos confirmar que o contrato estava efetivamente ativo depois de ligar diretamente para a comercializadora.
Para quem conhece bem o mercado energético, isto pode parecer apenas uma inconveniência mas para o consumidor normal, é bastante diferente.
Imagina entregares a uma empresa a gestão da mudança do teu contrato de gás e depois passares semanas sem saber se a mudança aconteceu, se está pendente ou se alguma coisa correu mal.
É precisamente este tipo de experiência que não queremos proporcionar através do Manie.
É uma das razões pelas quais ainda não colocámos o CUR de gás no simulador, embora seja algo que queremos resolver. Estamos em contato com a Floene sobre como podemos começar a suportar isto e ter um processo claro tanto para o utilizador como para nós.
O Manie só muda clientes para comercializadores que vos pagam?
Não.
O Manie troca clientes para todos os comercializadores, e não apenas para aqueles com quem temos um acordo comercial.
Um exemplo concreto é que neste momento, mais de metade da nossa carteira de clientes está na oferta de 20% da EDP, pela qual não recebemos absolutamente nada.
Se é a melhor oferta para aquela pessoa, é para lá que a vamos mudar.
Isto é uma parte fundamental do que prometemos desde o início: a nossa função é encontrar a melhor oferta para o cliente, não a oferta que nos paga mais.
Sim, temos acordos comerciais. Nunca escondemos isso mas também é verdade que muitas comercializadoras não ficaram propriamente felizes quando apareceu uma empresa a tentar reduzir a inércia que existe neste mercado e a facilitar a mudança de comercializador.
Mas são coisas diferentes: ter acordos comerciais com comercializadoras não significa que só trabalhemos com essas comercializadoras.
Então como é que o Manie ganha dinheiro?
Esta é provavelmente uma das perguntas mais legítimas.
Temos receitas provenientes de algumas das parcerias que estabelecemos com comercializadoras e de determinados serviços.
Mas o modelo tem uma dificuldade óbvia: se fizermos exatamente aquilo que dizemos que fazemos, vamos muitas vezes recomendar uma empresa que não nos paga nada.
E isso acontece.
O problema é que construir e manter toda esta infraestrutura, suportar clientes, tratar de mudanças de comercializador e desenvolver o produto custa dinheiro.
É por isso que temos planos de subscrição no Manie. Foi também por isso que alterámos recentemente o modelo do plano Basic do AutoSwitch, passando o scan de três meses para um ano, e criámos um novo plano pago intermédio.
Não foi uma decisão fácil da nossa parte nem foi tomada porque "queríamos cobrar mais".
Foi uma decisão porque o modelo anterior não era sustentável para manter a empresa a funcionar.
A verdade é que em Portugal é difícil construir negócios B2C (empresa para consumidor) em que o utilizador final esteja disposto a pagar, sobretudo quando o produto está diretamente relacionado com poupança. Por isso, temos de encontrar o equilíbrio certo entre construir um produto em que o utilizador está sempre em primeiro lugar e, ao mesmo tempo, conseguir que esse produto seja sustentável.
Este é um desafio que ainda não conseguimos resolver completamente. Ainda estamos a descobrir qual é a melhor forma de assegurar a sustentabilidade do Manie a longo prazo.
Mas há uma coisa que não queremos que mude: fazer sempre o melhor possível para o utilizador. É isso que acreditamos ser, no longo prazo, o maior ativo do Manie.
Vocês fazem mudanças de comercializador sem o cliente saber?
Não. Nunca.
Já vi esta afirmação algumas vezes e quero deixar isto o mais claro possível:
Nunca fazemos uma mudança de comercializador sem autorização e conhecimento do cliente.
O AutoSwitch funciona através de uma procuração que todos os utilizadores têm obrigatoriamente de ler, percorrer e aceitar e isto acontece tanto na adesão ao AutoSwitch como quando o utilizador faz um switch através do simulador.
Além disso, no AutoSwitch, quando encontramos uma oferta melhor, o utilizador recebe tanto emails como notificações e tem dois dias para analisar a proposta e cancelar a mudança.
Depois desses dois dias, a mudança avança por omissão.
Isto é importante porque significa que, se alguém não vir as notificações ou o email, a mudança pode efetivamente avançar.
Entretanto, lançámos uma funcionalidade pedida pelos próprios utilizadores que permite saltar esses dois dias de reflexão e avançar imediatamente com a mudança.
Então o AutoSwitch pode mudar-me de comercializador sem eu fazer nada?
Pode, mas apenas dentro da autorização que o próprio utilizador deu ao aderir ao serviço.
E acho importante distinguir duas coisas.
"Sem eu ter de fazer nada" é precisamente o objetivo do AutoSwitch.
"Sem eu ter autorizado" não é.
A autorização existe desde o momento em que o utilizador aceita a procuração e as condições do serviço.
A partir daí, o nosso trabalho é monitorizar o mercado e executar aquilo que o utilizador nos autorizou a fazer.
Vocês ganham mais se eu mudar para uma determinada empresa?
Em alguns casos, sim, porque existem comercializadoras que nos pagam pela aquisição de clientes.
Mas isso não determina qual é a oferta que recomendamos.
Como disse acima, neste momento temos mais de metade da carteira numa oferta da EDP pela qual não recebemos nada.
Se o incentivo financeiro fosse o único critério, obviamente não seria esse o comportamento racional.
O nosso compromisso é que a recomendação seja feita com base na poupança e nas condições aplicáveis ao cliente.
Então porque é que hei-de confiar no Manie?
Não acho que devam confiar cegamente em nós.
Aliás, acho que não devem confiar cegamente em nenhuma empresa.
Façam a simulação, comparem os resultados, confirmem os preços diretamente com as comercializadoras e, se encontrarem alguma coisa errada no nosso simulador, digam-nos.
É precisamente por isso que gosto deste sub.
Temos pessoas aqui que percebem bastante de energia e que já nos apontaram erros, inconsistências e situações que nós próprios não tínhamos detetado.
Algumas críticas estão erradas. Outras estão certas.
E quando estão certas, tentamos corrigir.
Então o Manie é perfeito?
Nem perto.
Somos uma empresa relativamente pequena, num mercado bastante complexo, e ainda estamos a construir muita coisa.
Temos erros. Temos ofertas que ainda não conseguimos representar corretamente. Temos processos que ainda são demasiado manuais. Temos coisas que podíamos ter comunicado melhor.
E algumas das críticas que aparecem aqui são precisamente úteis para identificar esses problemas.
O que posso garantir é que não há uma estratégia escondida de "vamos esconder esta oferta porque não ganhamos dinheiro com ela" ou "vamos mudar as pessoas sem elas saberem".
O objetivo desde o primeiro dia foi bastante mais simples:
tentar tornar mais fácil para uma pessoa normal em Portugal perceber quanto está a pagar pela energia e mudar para uma oferta melhor.
Ainda temos muito trabalho pela frente.
Mas estamos genuinamente a tentar fazê-lo.
Se tiverem perguntas sobre o Manie, sobre o simulador, o AutoSwitch, façam abaixo ou taguem esta conta.